Atletismo começa com ouros de fundista Yeltsin Jacques e saltadora Silvânia Costa nos Jogos Paralímpicos de Tóquio

qui, 26 ago 2021 22:55:45 -03:00



Yeltsin Jacques (c) corre durante prova dos 5.000m nos Jogos de Tóquio | Foto: Wander Roberto/CPB

Yeltsin Jacques (c) corre durante prova dos 5.000m nos Jogos de Tóquio | Foto: Wander Roberto/CPB

O Brasil começou as provas do atletismo nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, que acontecem no Estádio Olímpico de Tóquio, com duas medalhas de ouro conquistadas por Yeltsin Jacques, fundista da classe T11, para cegos, e Silvânia Costa, no salto em distância também da classe T11. Agora, o Brasil soma três medalhas de ouro e 10 ao todo esta edição dos Jogos. Somando estes pódios, o Brasil já conquistou 308 medalhas na história dos Jogos Paralímpicos. 

O primeiro atleta a disputar uma prova do atletismo na capital japonesa foi Yeltsin Jacques, do Mato Grosso do Sul, nos 5.000m pela classe T11, para cegos. O tempo do fundista brasileiro foi de 15min13s62 na prova e chegou à frente dos japoneses Kenya Karasawa e Shinya Wada, que completaram o pódio. 

Durante a disputa, o brasileiro ficou na liderança do pelotão na maior parte da prova. Sendo ultrapassado pelo japonês Kenya Karasawa faltando duas voltas para o fim. Aos 14min53m, o brasileiro deu uma arrancada ultrapassando o adversário, fechando a prova com a marca que também valeu o recorde das Américas.

“Foi uma prova de bastante estratégia, eu já tinha definido uma estratégia próxima com os meninos. Eles foram me passando as informações durante a prova para gente se posicionar conforme o combinado para evitar o choque”, revelou o atleta, que fez uso de dois atletas-guia na prova. Laurindo Nunes Neto foi o que iniciou a disputa, enquanto Carlos Antônio dos Santos finalizou os últimos metros com o medalhista paralímpico. 

“Quando o Carlos [Antônio do Santos] entrou, ele falou sobre o queniano e o japonês. A minha esposa já tinha estudado essa e me avisou: o japonês não ganha de você na chegada, e foi dito e feito. Obrigado!”, Yeltsin agradeceu a grande ajuda e torcida da esposa que está no Mato Grosso do Sul. 

Entre as principais conquistas da carreira, o fundista nascido em Campo Grande conquistou uma medalha de prata nos 1.500m e um bronze nos 800m no Mundial da França 2013, ouro nos 1.500 e nos 5.000m nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015, além de um bronze na prova de 5.000m e outro ouro nos 1.500m no Parapan de Lima 2019.

"A medalha é do Brasil. Nós treinamos mais de dois anos especificamente para esta prova, então o trabalho foi feito, cumprido e Deus abençoe nós todos. E agora vamos para o 1.500m representar o Brasil", disse. 

Outro brasileiro que participou da prova foi o Júlio Cesar Agripino, que terminou em 7º lugar com o tempo de 16m26s31.

90ª medalha de ouro do Brasil 

Logo em seguida, foi a vez da saltadora também sul-matogrossense Silvânia Costa conseguir o lugar mais alto no pódio ao saltar 5,0m na sua quinta tentativa e ficar com a medalha de ouro. Outra brasileira na mesma disputa, Lorena Spoladore ficou na quarta colocação.

"Que felicidade! Eu entrei com muita garra e determinação. Eu ralei muito, com a oportunidade que o CPB me ofereceu. A gente aproveitou o máximo e  consegui chegar aqui e cumprir a nossa meta e objetivo", disse a atleta bicampeã paralímpica.

Além disso, com estas vitórias de Yeltsin e Silvânia, o país chegou a 90 medalhas de ouro - faltando 10 para a 100ª.  Ainda são 115 de prata e 106 de bronze. Vale ressaltar que o país está entre as 20 nações que mais medalharam em toda a história do megaevento paradesportivo.

"Acho que o principal é quando o atleta sai satisfeito sabendo que perdeu primeiro para ele mesmo. E a gente superou todas as dificuldades e agora eu quero ver o hino e a bandeira do pódio", afirmou Silvânia. 

“Eu nunca pensei em desistir. Eu sabia que este momento iria ser meu e que só dependia de mim os meus objetivos. Uma coisa eu não perdi: a minha garra, a determinação e a minha força de vontade. Então essa medalha vem com todo esse trabalho de apenas cinco meses”, concluiu. 

Após a prova do salto em distância, a atleta não descansou, Silvânia seguiu para competir nos  400m, mas abandonou a prova no início por uma distensão muscular.

Petrúcio disputa o terceiro ouro do atletismo

Às 7h33 (horário de Brasília), pode sair a terceira medalha dourada do Brasil, já que três atletas disputam a final do 100m pela classe T47 (para amputados de membros superiores). Petrúcio Ferreira, o atleta paralímpico mais rápido do mundo, Lucas Lima e Washigton Júnior se classificaram para a etapa final.  

Petrúcio se classificou, na segunda bateria,  com o tempo de 10s75. Na primeira bateria da prova, Washigton Júnior terminou com 10s64, e Lucas Limas com 11s07. 

O favoritismo não assusta o recordista mundial da prova dos 100m. “É legal chegar com esse fardo, com essa cobrança, porque o nordestino só se vira em momentos difíceis e estou aqui mostrando essa força”, afirmou. “É uma honra ser comparado com o melhor do mundo e ter esse reconhecimento. Entro na pista e tento ser eu, o Petrúcio que saiu de São José do Brejo da Paraíba. O Petrúcio que está aqui no Japão é o mesmo que saiu de lá”, disse o medalhista de ouro nos Jogos do Rio 2016.  

"Estamos bem preparados para dar o melhor dentro da pista. O momento difícil que a gente passou ficou lá trás aqui é a parte fácil que é mostrar tudo que a gente trabalhou", finalizou o atleta sobre a Seleção Brasileira de atletismo.

Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
Os atletas Yeltsin Jacques e Petrúcio Ferreira são integrantes do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa que beneficia 69 atletas.

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O paratletismo tem patrocínio da Braskem e das Loterias Caixa.  

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

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