Família paralímpica: conheça os familiares que foram convocados e que vão disputar juntos os Jogos de Tóquio

seg, 19 jul 2021 16:20:26 -03:00



Nota atualizada às 9h20 do dia 23 de agosto de 2021

Em mais uma edição de Jogos Paralímpicos, a delegação brasileira contará novamente com alguns casos em que a família dos atletas estará presente dentro da Vila Paralímpica por outra modalidade e até mesmo participando da mesma equipe nacional.

É o caso da bocha, modalidade que já rendeu ao país nove medalhas paralímpicas, sendo seis de ouro, uma de prata e duas de bronze. Para representar o Brasil neste esporte em Tóquio, foram novamente convocados os irmãos Marcelo e Eliseu dos Santos, medalhistas de prata nos pares pela classe BC4 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, ambos ao lado de Dirceu Pinto. Desta vez, em Tóquio, eles terão ainda a parceria de mais um membro da família: o outro irmão Luciano dos Santos, que atua como calheiro.

Apesar de ser quatro anos mais velho, Marcelo, que tem distrofia muscular progressiva assim como Eliseu, iniciou sua caminhada na bocha por influência do irmão, que já havia sido medalhista paralímpico em Pequim 2008, Londres 2012, além de medalhas em Copas do Mundo e Parapan. A estreia de Marcelo nos Jogos foi no Rio de Janeiro. Já Luciano fará a sua estreia em Tóquio.

Nas disputas do Japão, a bocha também vai reunir a família Carvalho, já que o atleta Mateus e o pai Oscar, que atua como seu calheiro, foram convocados de maneira inédita para uma edição de Jogos Paralímpicos. 

Pai e filho começaram a praticar bocha paralímpica em meados de 2012, após Mateus, que tem artrogripose múltipla congênita, ter iniciado na natação e conhecer a nova modalidade em uma Paralimpíada Escolar. 

"Ficamos muito felizes quando vimos os nossos nomes na lista [de convocação]. Esperamos fazer o melhor trabalho juntos para poder representar o nosso país e fazer o melhor possível para trazer a medalha para casa", afirmou Mateus.

Entre as principais conquistas de ambos na bocha, estão a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos Universitários em 2018, o ouro no Parapan de Lima 2019 nos pares e o bronze no individual, além do ouro por pares na Copa América 2019.

'Quase gêmeos'

Nascidos em Rolim de Moura, em Rondônia, os "irmãos Teodoro" Kesley e Ketyla descobriram sem querer, ainda crianças, a paixão pelo atletismo, assim como se ajudaram a lidar com a mesma deficiência visual (doença de Stargrdt) em momentos da vida diferentes de cada um.

Tóquio também será a primeira edição de Jogos Paralímpicos que ambos disputarão juntos. Apenas Kesley disputou os Jogos do Rio 2016, enquanto somente Ketyla correu nas pistas do Parapan de Lima 2019. A única missão que os dois velocistas participaram juntos pelo Brasil foi no Mundial de atletismo em Dubai 2019.

"Costumo dizer que somos gêmeos, com quase três anos de diferença, pois sempre gostamos das mesmas coisas. E até por conta da deficiência, sempre fomos muito ligados um no outro. Eu era criança quando o Kesley começou a perder a visão. E minha mãe chegava para mim e falava 'você tem de segurar na mãozinha dele porque ele não vê, você tem de cuidar do seu irmão'. Eu era mais nova de idade, mas me sentia mais velha. Porém, quando fiz 13 anos, comecei a ter a perda da visão, e foi a vez do Kesley me ajudar. Ele falou 'passei por isso na infância e agora você vai tirar isso de letra'. Então, essa ajuda se inverteu depois", lembrou Ketyla, 25 anos, e que é especialista nos 400m pela classe T12.

Ketyla, quando frequentava uma escola em Porto Velho, foi indicada a um técnico que buscava alunos com deficiência para as Paralimpíadas Escolares em 2012 mesmo sem praticar atletismo. Porém, sua mãe não queria que a então jovem viajasse sozinha a São Paulo para competir e indicou que o irmão fosse junto. “Só na primeira edição, o Kesley já conseguiu três medalhas pelo projeto do CPB. E, em 2013, já entramos no ranking nacional”, recordou Ketyla.

"A gente trabalhou cinco anos para chegar em Tóquio, passamos por essa pandemia. É um sonho de um atleta completar um ciclo. Ter uma irmã, um familiar ao seu lado é muito legal, você saber que tem uma pessoa próxima que você pode contar. Poder falar 'olha, estou preocupado, aconteceu isso', 'estou me sentindo assim'. Tem coisas que você só fala para a família. Então, chegar a esse sonho em família é um prazer dobrado", completou Kesley, 28 anos, e que compete os 100m e 200m pela classe T12.

Já as nadadoras Beatriz e Débora Borges Carneiro são gêmeas, de fato, e foram convocadas para compor a Seleção Brasileira de natação pela classe S14, para atletas com deficiência intelectual. 

As paranaenses bateram o índice paralímpico pela primeira vez na seletiva de natação que aconteceu no último mês de junho, no CT Paralímpico, na prova dos 100m peito, a disputa preferida das irmãs nas piscinas.

"Uma ajuda a outra, nos treinos e em campeonatos. Nos treinos, a gente é rival, mas no final uma acaba sempre puxando a outra. Então a sempre torce uma pela outra", afirmou Débora. 

O cenário das gêmeas da natação contrasta com o de Josemarcio Sousa, o Parazinho, e sua irmã Lucilene Sousa, que se motivam desde a infância apesar da boa diferença de idade e de atuarem por modalidades diferentes atualmente.

Únicos filhos da família Silva Sousa, do interior do Pará, a se tornarem atletas de alto rendimento entre os 10 irmãos, o ala do goalball da classe B3 e a nadadora da classe S12 precisaram superar as desconfianças dos familiares para, hoje, comemorarem juntos a convocação para os Jogos de Tóquio. Apenas eles, e mais um irmão, têm deficiência visual devido a uma atrofia no nervo óptico.

"No início, minha família não acreditava muito no esporte. Achava que era só para gente rica, com condições melhores. Mas, saí de casa com 14 anos, quando fui para Belém começar o meu sonho de ser um atleta de alto rendimento e de Seleção Brasileira. E sempre falei para a minha irmã que ela tinha que correr atrás dos sonhos dela e não desistir. Mesmo que nossa família não nos apoiasse como atualmente, eu acreditava nela e pude ajudá-la com conversas, conselhos, e hoje ela está aqui comigo, representando o Brasil. E a nossa família mudou totalmente e viu que é possível", afirmou Parazinho, cinco anos mais velho do que a irmã caçula da família.

O atleta do goalball foi decisivo ainda na transição de modalidade que Lucilene fez na carreira – ela iniciou no mesmo esporte que o irmão e somente depois migrou para a natação. "No Parapan do goalball [de Jovens, em 2017], eu fui ao hotel em que estava hospedada e conversei com ela. Durante o café, falei 'vou te dar um conselho como irmão e como atleta: vá para a natação'. Percebi que ela levava jeito", recordou Parazinho, que ainda chegou a ver a irmã conquistar a medalha de ouro naquela competição.

"O que mais me emocionou foi receber uma ligação de um outro irmão nosso quando fui convocada e ele me disse 'eu me espelho em você e no Josemarcio [Parazinho] porque hoje vocês são o orgulho da família. Minha mãe também disse que estava muito orgulhosa e que jamais imaginaria que nós iríamos chegar tão longe. Essas palavras foram muito especiais", completou Lucilene.

Já os irmãos Silvânia e Renato Costa têm a mesma deficiência visual (Doença de Stargardt), competem pela mesma modalidade (salto em distância) e conquistaram a medalha de ouro na mesma edição de Jogos Paralímpicos (Rio 2016). A ida juntos para o Japão será a chance dos irmãos repetirem o feito histórico da família Costa.

Mãe e filha

Jane Karla e Lethicia Rodrigues estão convocadas para os Jogos Paralímpicos de Tóquio e vão viver a experiência de participar da mesma competição pelo Brasil como mãe e filha.   

Ambas treinam em cidades diferentes de Portugal, país em que vivem desde 2018. Lethicia, 18 anos, vai ao Japão competir pelo tênis de mesa, ex-modalidade da mãe Jane Karla, 45 anos, que hoje se prepara para disputar uma medalha pelo tiro com arco.

Jane Karla, que teve poliomielite aos três anos de idade, participou do tênis de mesa nos Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012. Em 2015, migrou para o tiro com arco composto e disputou a Rio-2016.

"Desde pequena, a minha filha me viu atuar em treinamentos e competições pelo tênis de mesa e se apaixonou pela modalidade. E agora ela vai participar em Tóquio também pelo tênis de mesa. Estou super orgulhosa e feliz com esta fase. Vamos viver um momento muito especial juntas. Estarei na minha quarta Paralimpíada, enquanto ela estará na sua primeira. Espero que ela curta bastante tudo isso", apontou Jane. 

Já Lethicia garantiu a vaga para Tóquio no ano passado e hoje ocupa a posição de melhor das Américas pela classe 8.

"Quando era muito pequena, lembro dela chegando das viagens que ela fazia para competir. A saudade apertava muito e, quando ela chegava, eu e meu irmão corríamos para abraçá-la. Lembro dela mostrando as medalhas, falando das conquistas e como funcionava tudo. É muito doido ver que hoje em dia eu também estou participando [dos Jogos]. Acho que vai ser muito mágico, viver a minha primeira Paralimpíada, e junto com a minha mãe, vai dobrar a minha emoção", finalizou Lethicia.

Patrocínios 

O paratletismo tem patrocínio das Loterias Caixa e da Braskem. Já as modalidades de goalball, natação e tênis de mesa contam com o patrocínio oficial das Loterias Caixa.  

Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível  
As atletas Ketyla Teodoro, Lucilene Sousa, Eliseu dos Santos, Jane Karla e Débora e Beatriz Carneiro são integrantes do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa que beneficia 69 atletas.

Time São Paulo 
O atleta Kesley Teodoro é integrante do Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo que beneficia 57 atletas de 11 modalidades.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

PATROCINADORES
Patrocinadora do Paratletismo Brasileiro
Patrocinadora do Comitê Paralímpico Brasileiro
PARCEIROS
Parceiro do Comitê Paralímpico Brasileiro
Parceiros do Atleta Cidadão
APOIADORES
Apoiador do Comitê Paralímpico Brasileiro
FORNECEDORES
Fornecedor Oficial